Artrite de Takayasu: aspectos e relato de caso

Categorias Arterite Takayasu

A artrite de Takayasu, ou Síndrome do Arco Aórtico é uma doença inflamatória que atinge a artéria aorta (aorta que está diretamente ligada ao coração) e suas ramificações. É uma doença rara e afeta principalmente mulheres entre 10 e 40 anos e ainda não se sabe a causa da doença.

Quais os Sintomas? E como é feito o Diagnóstico?

Os sintomas da doença são muito gerais e inexpressivos, como dor muscular e articular, mal-estar, febre e fadiga. Portanto é necessário uma suspeita alta da doença para realizar o diagnóstico precoce. São feitos exames como ressonância magnética, ou angiografia por tomografia computadorizada, que mostram a imagem da aorta para confirmar o diagnóstico.

Artéria aorta em preto. Fundo cinza.

Após os primeiros sintomas, o paciente pode sentir alguns outros sintomas devido a redução do fluxo de sangue causada pelo estreitamento da artéria para alguma parte do corpo. As pessoas podem sentir dor ao caminhar, dor nas pernas e nos braços e cansaço nessas partes, após ficarem muito tempo com eles suspensos ou após movimentos repetitivos. O pulso e a pressão podem cair nessas regiões do organismo. Além disso, o enfermo pode sentir dor de cabeça, tonturas, problemas de visão e desmaios, podendo ter até AVC.

Os rins podem demonstrar mau funcionamento, podendo resultar em hipertensão arterial, podendo elevar o risco de derrames, ataques cardíacos e insuficiência renal. A pressão sanguínea pode causar hipertensão pulmonar, causando cansaço, falta de ar e até dores no peito. Eventualmente o coração pode ser afetado também, quando há uma diminuição do fluxo sanguíneo para o coração, provocando angina ou ataque cardíaco.

Tem Cura?

Não existe cura para a artrite takayasu e o tratamento é realizado por meio de corticosteroides para diminuir a inflamação, imunossupressores, como metotrexato, azatioprina, micofenolato de mofetila e ciclofosfamida, e inibidores do fator de necrose tumoral como etanercepte e infliximabe. A medicação é feita por tempo indeterminado. Estima-se que a medicação não funcione em um quarto dos doentes.

Os corticosteroides são reduzidos aos poucos, pois possuem graves efeitos colaterais, quando utilizados a longo prazo. Os sintomas voltam na maioria dos pacientes que param o tratamento, logo, é fundamental o retorno das medicações.

Desenhos de várias aortas, uma do lado outra.

É indicado uma dose baixa de aspirina, para auxiliar na redução da formação de coágulos na artéria inflamada e a pressão arterial deve ser controlada com o uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina para impedir complicações.

Em casos de dificuldade para caminhar ou usar os braços, a cirurgia de revascularização é recomendada, além de poder ser necessário outros procedimentos, como cirurgia de derivação das artérias coronárias.

Tempo de Vida

Segundo especialistas, o período de vida depende da gravidade da doença, do tratamento e da reação do paciente aos remédios. Nota-se que em pacientes mais velhos, a doença estaciona por períodos mais longos. Porém, o tratamento realizado de forma adequada, pode controlar bem a doença.

Relato de Caso de artrite Takayasu

Uma mulher de 38 anos, branca, costureira, de São Paulo, com histórico de tabagismo e casos de  hipertensão arterial sistêmica (HAS) na família (mãe e pai), e portadora de dislipidemia (presença de altos níveis de colesterol ou gorduras no sangue), foi diagnosticada com artrite takayasu. Com 27 anos de idade, foi feito seu diagnóstico de HAS. Aos 34 anos, ela foi encaminhada ao pronto-socorro, com quadro que sugeria infarto agudo do miocárdio. Foi feito um tratamento conservador e descobriu-se uma lesão grave na origem da artéria diagonal e a artéria circunflexa estava fechada no terço médio. Realizou-se um tratamento clínico, pois as artérias afetadas eram de difícil acesso.

Mesmo com a medicação de quatro remédios diferentes, a pressão alta permanecia, então, iniciou-se uma investigação para causa secundária. Foi realizado um exame que mostrou um moderado comprometimento do fluxo no rim direito, que depois foi confirmada com a sensibilização com captopril.

Aorta em vermelho, com as partes indicadas por flechas com seus respectivos nomes na artrite de takayasu

Após uma arteriografia digital da artéria renal, foi indicado um estreitamento da válvula aórtica (estenose) de 80% no terço proximal da artéria renal direita, o que levou a realização de uma angioplastia com balão do vaso comprometido. Nesse estágio, foi descoberto um sopro sistólico na região cervical esquerda, o que acabou revelando um espessamento significativo da parede das artérias carótidas comuns.

A paciente evoluiu com o controle dos níveis da pressão após a cirurgia (angioplastia), e recebeu alta em uso de maleato de enalapril, ácido acetilsalicílico, besilato de anlodipino e atenolol. Dois anos depois, ocorreu um aumento persistente nos níveis da pressão arterial. No novo exame realizado, constatou-se uma estenose expressiva de 70% artéria renal direita, 60% da artéria ilíaca comum esquerda e um fechamento da artéria ilíaca externa direita. Foi realizada uma nova cirurgia, com a colocação do estente (uma endoprótese expansível, definido como um tubo perfurado, que é inserido em um canal do corpo para prevenir ou impedir a constrição do fluxo no local causada pelo entupimento das artérias).

A cirurgia foi um sucesso e a paciente evoluiu com o controle dos níveis de pressão e recebeu alta com apenas o uso de hidroclorotiazida 25 mg por dia. Após, foi encaminhada para avaliação de possível artrite de Takayasu em serviço especializado.

Código CID 10

A Classificação Internacional de Doenças ou Problemas Relacionados à Saúde (CID) é um código criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com o propósito de uniformizar as doenças e permitir uma melhor comunicação entre os profissionais da área da saúde. O código CID 10 da doença é CID 10 – M31.4.

http://departamentos.cardiol.br/dha/revista/16-4/16-arterite.pdf

http://www.scielo.br/pdf/rbr/v46s1/a02v46s1

https://www.redalyc.org/html/2450/245016526006/

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